Breve análise das bicicletas amarelas que apareceram na minha rua

12 de Fevereiro de 2019 em Tech Life

Semana passada as famigeradas bicicletas amarelas da empresa chamada Amarelo chegaram aqui em Vitória. Nunca tive nada particularmente contra eles embora eu tivesse algumas reservas que basicamente dizem respeito a: 1) Cobertura limitada em São Paulo (o que me fez achar que por aqui seria parecido) e 2) Os preços são relativamente elevados (comparando com os serviços de bicicleta municipais). De todo modo, como eu dizia, no começo de Fevereiro começaram a aparecer várias dessas bicicletinhas paradas em várias calçadas da cidade.

Sobre isso, um parêntese: Bom ou ruim, o prefeito de Vitória gosta muito da ideia do serviço e correu atrás de trazer a atuação dele à cidade, que já veio com tudo licenciado e funcionando. Aproveitaram o embalo e vieram junto pra Vila Velha, mas tiveram uma recepção não tão amigável: A prefeitura rapidinho tratou de recolher todas as bicicletas, já que foram simplesmente colocadas ali, sem nenhum acordo, beijo ou sequer convite pra jantar antes. Vai achando que é só chegar e usar a cidade inteira de vitrine sem pagar e sem pedir.

Enfim. Mesmo com esse modelo questionável (por mim), precisei ir num bairro próximo e resolvi aproveitar pra experimentar a bicicleta. Fiz o cadastro no aplicativo, coloquei créditos (que raios é isso de créditos, bicho? Não dava pra cobrar no cartão sob demanda no fim de cada trecho?) e rapidinho encontrei uma bicicleta bem próxima. Não andei 5 minutos e lá estava ela:

Bicicleta Amarela

Bastante amarela, como você pode perceber.

Saquei o celular, apontei a câmera pro QR code e o cadeado abriu. Saí andando. A primeira sensação foi de estranhamento porque, diferentemente de todas as outras bicicletas que usei, nessa o cesto da frente é preso no quadro — então você curva e o bagageiro se mantém estático. Daí pra frente, gostei bastante. A bicicleta era confortável, sem folgas e com uma relação bem acertada pra uma bicicleta sem marchas — o que, ao meu ver, é um erro: Mesmo numa cidade plana como Vitória, um vento contra na beira da praia é suficiente pra que o passeio se torne mais confortável numa marcha mais leve. As bikes da prefeitura daqui usam o conjunto Shimano Nexus de três velocidades, que é bastante resistente e necessita de pouquíssima manutenção.

Ao fim do percurso, fiquei um pouco confuso para travar a bicicleta, mas talvez eu tenha ignorado as instruções. Tentei travar pelo aplicativo em algum botão de encerrar o empréstimo, mas na verdade a “devolução” é feita pela própria bicicleta: Basta fechar a trava na roda traseira e tá tudo certo. Em geral, gostei da experiência — é mais uma opção de transporte e, mesmo com todas as minhas reservas ao modelo de atuação da empresa, eu não vou reclamar de uma alternativa de locomoção. Dada a escassez de bicicletas municipais nas estações, se houver uma abrangência razoável no serviço, é bastante provável que eu volte a utilizá-lo.

Um parêntese final: O serviço também oferece patinetes para aluguel. Esses, só consigo levar como um brinquedo: A velocidade é pífia, a abrangência é ruim e o valor é pouco atraente. Por R$0,50 o minuto, é possível que pessoas sejam atropeladas por usuários de patinete que não querem pagar muito caro no fim da corrida. Ou não: Ele não passa de 20km/h, de qualquer forma.

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