Semana passada as famigeradas bicicletas amarelas da empresa chamada Amarelo chegaram aqui em Vitória. Nunca tive nada particularmente contra eles embora eu tivesse algumas reservas que basicamente dizem respeito a: 1) Cobertura limitada em São Paulo (o que me fez achar que por aqui seria parecido) e 2) Os preços são relativamente elevados (comparando com os serviços de bicicleta municipais). De todo modo, como eu dizia, no começo de Fevereiro começaram a aparecer várias dessas bicicletinhas paradas em várias calçadas da cidade.
Sobre isso, um parêntese: Bom ou ruim, o prefeito de Vitória gosta muito da ideia do serviço e correu atrás de trazer a atuação dele à cidade, que já veio com tudo licenciado e funcionando. Aproveitaram o embalo e vieram junto pra Vila Velha, mas tiveram uma recepção não tão amigável: A prefeitura rapidinho tratou de recolher todas as bicicletas, já que foram simplesmente colocadas ali, sem nenhum acordo, beijo ou sequer convite pra jantar antes. Vai achando que é só chegar e usar a cidade inteira de vitrine sem pagar e sem pedir.
Enfim. Mesmo com esse modelo questionável (por mim), precisei ir num bairro próximo e resolvi aproveitar pra experimentar a bicicleta. Fiz o cadastro no aplicativo, coloquei créditos (que raios é isso de créditos, bicho? Não dava pra cobrar no cartão sob demanda no fim de cada trecho?) e rapidinho encontrei uma bicicleta bem próxima. Não andei 5 minutos e lá estava ela:

Bastante amarela, como você pode perceber.
Saquei o celular, apontei a câmera pro QR code e o cadeado abriu. Saí andando. A primeira sensação foi de estranhamento porque, diferentemente de todas as outras bicicletas que usei, nessa o cesto da frente é preso no quadro — então você curva e o bagageiro se mantém estático. Daí pra frente, gostei bastante. A bicicleta era confortável, sem folgas e com uma relação bem acertada pra uma bicicleta sem marchas — o que, ao meu ver, é um erro: Mesmo numa cidade plana como Vitória, um vento contra na beira da praia é suficiente pra que o passeio se torne mais confortável numa marcha mais leve. As bikes da prefeitura daqui usam o conjunto Shimano Nexus de três velocidades, que é bastante resistente e necessita de pouquíssima manutenção.
Ao fim do percurso, fiquei um pouco confuso para travar a bicicleta, mas talvez eu tenha ignorado as instruções. Tentei travar pelo aplicativo em algum botão de encerrar o empréstimo, mas na verdade a “devolução” é feita pela própria bicicleta: Basta fechar a trava na roda traseira e tá tudo certo. Em geral, gostei da experiência — é mais uma opção de transporte e, mesmo com todas as minhas reservas ao modelo de atuação da empresa, eu não vou reclamar de uma alternativa de locomoção. Dada a escassez de bicicletas municipais nas estações, se houver uma abrangência razoável no serviço, é bastante provável que eu volte a utilizá-lo.
Um parêntese final: O serviço também oferece patinetes para aluguel. Esses, só consigo levar como um brinquedo: A velocidade é pífia, a abrangência é ruim e o valor é pouco atraente. Por R$0,50 o minuto, é possível que pessoas sejam atropeladas por usuários de patinete que não querem pagar muito caro no fim da corrida. Ou não: Ele não passa de 20km/h, de qualquer forma.